Bem-vindos todos a minha coluna semanal aqui no Soc! Tum! Pow!. O assunto hoje é O Espírito que Anda, conhecido pelos íntimos como Fantasma. Embora muitos dos novos leitores não saibam o Fantasma já foi recordista de vendas no Brasil. Como? Vamos ver.

O Fantasma foi uma das duas criações geniais do quadrinhista Lee Falk (a outra foi o mágico Mandrake) e caso você seja um leitor novo, é possível que tenha escutado falar dele recentemente por causa de sua nova versão reformulada ou então por conta da malfadada série de TV de 2009 (que foi tão ridícula que sequer manteve o tradicional uniforme).

Mas se você sequer escutou falar desse herói, não se preocupe; a verdade é que nos últimos anos ele tem sido mesmo subaproveitado. Porém, nem sempre foi assim. Os mais velhos (da década de 70 para trás), ao serem questionados sobre quadrinhos que marcaram sua infância, imediatamente mencionam o nome do Fantasma. O herói que lhes vêm à mente não é Batman, Superman ou qualquer outro desses que estão aí até hoje.

Para os jovens, entender isso é difícil, justamente pelo fato de atualmente o personagem encontrar-se limitado a algumas edições especiais esporádicas e um sucesso espasmódico, sobretudo na Europa, contudo, o fato é perfeitamente explicável: em seu auge, na década de 60, a revista do Espírito que Anda foi simplesmente a que mais vendeu na história do Brasil. É isso mesmo, leitor, o Fantasma foi uma mega-sucesso editorial e a circulação de seu título solo vendia uma média de nada mais, nada menos, que 200.000 exemplares (com picos de 250.000). O sucesso era tanto, que por diversos períodos, a revista se tornou quinzenal, sendo que a segunda edição do mês saía com o selo “extra” na capa, mas mantendo a numeração normal.

Se pensarmos bem, veremos que trata-se de um número assustador, principalmente ao notarmos que o segundo lugar não chega nem perto do campeão; o personagem Conan, durante o que ficou conhecido como a Era da Conanmania (período que corresponde ao lançamento de seus dois primeiros filmes), vendia pela editora Abril uma média de 100.000 exemplares – exatamente metade. E mesmo o Almanaque do Tio Patinhas, com todo o apelo que trazia para o público infantil, jamais passou dos 150.000. Hoje, a despeito da quantidade de pessoas no Brasil ter aumentado exponencialmente, é raro que a tiragem de alguma publicação em quadrinhos ultrapasse as 15.000 edições, o que torna o feito ainda mais magnânimo.

Outros tempos, é verdade (os saudosistas diriam bons tempos)! Mas já que estamos falando do Fantasma, aqui vai mais uma curiosidade: de onde afinal saiu aquela roupa vermelha que foi a norma por tantos anos, se o uniforme do herói era roxo? Pois bem, a verdade é que roxo é mesmo sua cor original e sempre foi, contudo durante décadas o personagem foi publicado no Brasil com a cor vermelha porque na época as gráficas que imprimiam as revistas simplesmente não conseguiam reproduzir as cores originais. O vermelho era, portanto, uma opção para contornar o problema. Esse mesmo motivo fez com que o herói fosse lançado em outros países com a cor marrom e até mesmo cinza!

Escrito por Alexandre Callari.

3 comentários até agora.

  1. Lander disse:

    cara, fantasma é um dos meus heróis preferidos.

    ele merecia uma volta a altura do grande herói que é.

  2. snikt!!! disse:

    COncordo totalmente com o Lander.
    O Fantasma e um personagem exelente e totalmente subaproveitado.

  3. Kemo Sabay disse:

    Bons tempos. Os primeiros númerosros de Batman-Bi, era divulgado pela Ebal com Tendo 300.000 exemplares vendidos.

    Kemo Sabay


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