
Olá pessoal, sejam bem-vindos a minha coluna semanal no SOC! TUM! POW!. Com bastante frequência cito o personagem Ken Parker no Pipoca & Nanquim, então resolvi escrever um breve texto sobre ele, aproveitando algumas pesquisas que havia feito para a matéria sobre Bonelli que fiz para a Mundo dos Super-Heróis nº 25.
Ken Parker é um personagem criado em 1974 pelo roteirista Giancarlo Berardi e pelo desenhista Ivo Milazzo, dupla que produziu quase todas as aventuras da série. O herói foi livremente baseado em Jeremiah Jonhson, personagem interpretado pelo ator Robert Redford no filme Mais Forte que a Vingança, de 1972.
Parker nasceu em 20 de novembro de 1844 na cidade de Buffalo, região do Wyoming. Aos 24 anos, seu irmão Bill foi assassinado (fato que ocorre logo na primeira edição), o que motiva o herói a sair em busca dos seus assassinos – gatilho que dá início às andanças do herói. Ao longo da série, ele trabalha como xerife, batedor do exército, caçador de peles, entre várias outras profissões, sempre singrando pelo intolerante mundo brutal e sem lei do velho oeste norte-americano. Ken também se torna conhecido pelo apelido de Rifle Comprido por causa de seu antiquado fuzil Kentucky que herdara de seu avô, mas do qual ele não se desprende por achar uma arma confiável e precisa.
A série, apesar de em sua essência ainda ser uma história de caubóis, apresentou uma temática diferente de tudo o que já havia sido visto até então nos quadrinhos italianos, rompendo com os paradigmas estabelecidos por heróis convencionais como Tex e Zagor. Vindo na esteira de História do Oeste, ela preza pelo realismo e não se importa de abordar temas controversos e polêmicos. Por exemplo, logo na segunda edição, o protagonista tem relações sexuais com uma prostituta. Se na época mostrar sexo já era algo fora dos padrões da política das editoras, quanto mais com uma “mulher da vida”. Outro momento notável ocorre próximo ao final da série; Ken é morto e seu personagem enviado ao “limbo dos quadrinhos”; um recurso metalingüístico sensacional e totalmente inesperado, muito anterior à famosa saga do Homem-Animal de Grant Morrison, na qual o escritor interage diretamente com seu personagem. Os roteiros de Ken Parker são densos e violentos e o cenário serve apenas de fachada para discutir temas polêmicos como preconceito, liberdade, política, violência, escravidão, etc.
Publicado inicialmente em uma edição especial da coleção Collana Rodeo, série especializada em faroeste cujo carro-chefe era justamente A História do Oeste, o personagem fez tanto sucesso de crítica que logo ganhou uma revista própria, lançada em junho de 1977. Contudo, apesar de ser uma unanimidade entre os críticos e de ter conquistado um nicho pequeno de fiéis leitores, a série teve dificuldade em angariar o grande público e acabou sendo interrompida.
No Brasil, Ken aportou em 1978, pela Editora Vecchi, que publicou ao todo 53 volumes da série. O herói retornou as bancas em 1990, quando a Best News lançou mais dois volumes. Coube à Editora Mythos trazer a série de volta às bancas brasileiras, quase uma década depois, lançando ao todo 18 edições do herói. A Cluq lançou alguns especiais em formato de luxo, incluindo Um Príncipe Para Norma (ver abaixo) e a Tapejara fez um trabalho fenomenal ao republicado todos os volumes 53 volumes originais em ordem cronológica e com acabamento primoroso.
LEITURA ESSENCIAL – UM PRÍNCIPE PARA NORMA
Em sua série regular, Ken mata um policial em legítima defesa e passa a ser perseguido como um fugitivo, já que a lei não acredita em sua versão da história. Em Um Príncipe Para Norma, Ken, fugindo da justiça, consegue emprego em uma companhia de teatro itinerante que está encenando a peça Hamlet. A saída de dois atores o obriga a ser contratado para atuar na peça, assumindo o papel de protagonista.
A história segue acompanhando a dura vida dos atores, em especial a Norma do título, retratada na história como Norma Jean (verdadeiro nome do ícone do cinema, Marylin Monroe), uma mulher bonita, porém que sofre preconceitos por conta do estereótipo ligado à sua aparência.
A HQ se alterna entre a trama principal e momentos em que a companhia encena a peça em si, sendo que cada segmento é desenhado por um artista diferente. Giorgio Trevisan cuida da adaptação de Hamlet, enquanto Ivo Milazzo ilustra o resto da aventura, escrita inteiramente por Giancarlo Berardi.
Escrito por Alexandre Callari.











Você escreveu uma matéria sobre Ken Parker para a Mundo dos Super-Heróis? Que pena! Você não sabe nada sobre a personagem e sua saga. Devia ter pesquisado melhor.
Olá, João. Já que você acha que o Alexandre – que é um excelente conhecedor de quadrinhos – realizou uma pesquisa que, ainda que tenha passado pelo crivo do editor da revista Mundo e de outros colaboradores, você não achou satisfatória, convido-o a escrever um texto sobre Ken Parker para que você possa nos ensinar mais coisas sobre o personagem. Desde que não haja qualquer tipo de ofensa em seu texto poderemos publicá-lo aqui no SOC! para complementar o material.
Sinta-se livre para corrigir quaisquer informações erradas que eu tenha passado. Crítica pela crítica não significa nada. Se puder contribuir, agradeço, se não, ocupe melhor seu tempo.
A matéria da mundo foi mesmo fraca, desculpa. Não sei se por falta de conhecimento ou pelo pouco espaço!
Essa matéria, acima, não fica atrás e deixa a desejar, ainda!
Ken Parker foi morto e enviado para o “limbo dos Quadrinhos??? De onde surgiu isso?
A Terra dos Heróis surge, inicialmente com base em uma inspiração literária.
“De um lado, uma leitura juvenil de Berardi: Os personagens do romance, de Robert Louis Stevenson, brevíssimo interlúdio no qual o autor inglês imaginava que, no intervalo dos capítulos XXXII e XXXIII de A Ilha do Tesouro, dois de seus personagens – o capitão Smollett e o pirata Long John Silver – discutissem animadamente sobre seu caráter, sobre seu destino como personagens, e sobre suas relações com seu criador… De outro, seis personagens à Procura de autor, de Luigi Pirandello. De fato, o pobre Ken, cansado de tantas travessias (transferido de um título para o outro, sumindo de circulação editorial por longos períodos, vivendo por tanto tempo em fuga, e até mesmo DADO como morto) e cônscio de um futuro bastante incerto (como se ele mesmo também estivesse para desaparecer no tétrico castelo de Heroilândia), “convoca” seus criadores, relembra-os das razões ideiais de sua atividade, os induz a reencontrar uma sintonia, os obriga a trabalhar fisicamente juntos e, mais uma vez, em público, em frente aos leitores”
(Gianni di Pietro – O Segredo de Rifle Comprido)
É, também, uma brincadeira da dupla com o fato de Ken ter ficado tanto tempo longe das bancas e em relação a volta do personagem a SBE.
“… Terra dos Heróis foi publicada em janeiro de 1995, nos números 24 e 25 da edição italiana Ken Parker Magazine, havia sido pensada e realizada antes, durante o ano de 1994, um ano crucial para a história do personagem: Fazia apenas três meses que Ken havia voltado ‘para a família’, para a Sérgio Bonelli Editore…” – Gianni di Pietro
Em Terra de Heróis estão os personagens que foram mortos ou esquecidos, abandonados pelos próprios autores. Ken estava entre esses últimos. Abandonado, sem novas histórias e por isso foi para lá.
Por fim, Ken Parker não virou série porque foi um sucesso de crítica. O personagem agradou o editor a tal modo, que acabou apostando no personagem.
Ken nunca se tornou o sucesso de público que o manteria nas bancas, mas mesmo assim, hoje, vários anos depois, Sérgio Bonelli ainda afirma que apostaria de novo em Ken Parker.
Em recente entrevista na Itália, Sérgio Bonelli afirma que se arrepende de ter lançados vários títulos e que se pudesse voltar atrás, seriam apenas cinco, Ken Parker está entre eles.
E a Tapejara publicou, além dos 53 números que já haviam saído pela Vecchi e os dois da Best News, lançou os quatro últimos, até então inéditos que encerram a primeira coleção do herói com 59 edições.
Abraços e vamos conversando.
Agora sim, contribuir é legal. Mas vamos lá:
O “limbo dos quadrinhos” foi uma forma genérica de me referir ao uso da metalinguagem na história. Posso não ter sido preciso como você foi, mas me desculpe, o que falei não está errado. Ele realmente se encontra com personagens que estavam em uma espécie de limbo. Como você próprio escreveu, se eles estvam esquecidos e abandonados, eles estavam onde? Seja como for, só me referi à história como uma citação, e da forma como fiz, ela torna-se mais inteligível ao leitor leigo. Basta ver o tanto que você escreveu para explicar de que se trata em detalhes, mas esse não era meu foco na matéria, então fui genérico. Qual o mal disso?
Sobre a Tapejara você está certíssimo (baita comida de bola minha).
No mais, onde eu falei que ele foi sucesso de público? Pelo contrário, disse que ele jamais foi sucesso de público, então não entendi sua crítica.
Por fim, o espaço na Mundo era para lá de limitado mesmo, mas também defendo a matéria. Aquilo ali não é uma tese sobre Bonelli, mas apenas uma sinopse que nem vemos na capinha de trás de um DVD. Se você se sente aguçado pela sinopse, assiste o filme.
Amigo, o que questionei não foi o fato de dizer que ele estava no limbo e sim que estava morto!
No Pipoca com Nanquim, acredito que você ou outro articulista, já tinha afirmado que Ken Parker morre na edição anterior.
Novamente eu pergunto, onde?
E Ken Parker não virou série porque foi um sucesso de crítica, como colocou em seu texto e sim, porque Sérgio Bonelli gostou tanto do personagem, muto mais do que para ter uma só história, como originalmente havia sido planejado por Berardi e Milazzo!
Por fim, a edição da mundo tá explicado. O que é uma pena, Tanto Ken Parker como a História do Oeste, mereciam muito mais uma matéria do tamanho da de tex do que o ranger.
Abraços
Ué, olha só, li essa história uma única vez, então posso estar correndo o risco de realmente confundir as coisas, mas na edição anterior ele não tinha tomado um tirombaço no peito?
Me lembro de ele caindo do cavalo ou algo assim na última página…
Meu amigo, dá uma olhada novamente na história que começa na 10 e acaba na 11, portanto antes de Terra de Heróis.
Ken Parker não toma um tiro no peito. Quem toma o tiro é Brett, quando vai impedir Fanny (que etsava caçando ele) de atirar em KP.
Como disse, em um monte de linhas acima – e serei curto agora – KP Terra de Heróis foi uma brincadeira dos criadores com o fato de KP ter ficado tanto tempo fora de publicação e uma homenagem dos autores a todos os personagens que fizeram parte da vida deles.
Portanto, uma excelente história, contudo fora da cronologia.
Grande abraço, desculpa ai qualquer palavra mais acalorada… e vamos conversando.