
Olá pessoal, bem-vindos à minha coluna aqui no SOC! Hoje vamos falar novamente sobre o Fantasma, um de meus personagens favoritos, mais precisamente sobre um misterioso ilustrador do herói.
Quando lembramos do Fantasma, sempre o associamos ao nome de seu criador, o lendário Lee Falk, um dos gênios da arte sequencial que antes mesmo da Era de Ouro dos Quadrinhos criou dois personagens que ajudaram a sedimentar grande parte do que entendemos hoje como a Nona Arte: o mágico Mandrake e o citado Fantasma.
Porém, o que as pessoas acabam esquecendo, é que Falk não desenhava, “apenas” escrevia os textos. Os fãs se lembram com carinho de Sy Barry (que esteve a frente do título e das tiras dominicais por anos) e com um pouco menos de carinho, de Wilson McCoy, que apesar de ser duramente criticado até hoje, ficou mais de uma década ilustrando as aventuras do Espírito que Anda.
Mas antes dos dois, há um nome muito pouco mencionado: Ray Moore.
Parece que o tempo tratou de apagar os rastros deste que foi o primeiro ilustrador da criação seminal de Lee Falk, ainda que ele tenha desenhado a série de 1936 até 1948; e o motivo é muito simples: não se sabe nada sobre a vida deste ilustrador. E quando digo nada, não estou exagerando. A maior parte do que é escrito sobre ele – inclusive em sites na Internet – não passa de fofoca, palavrório, ou histórias aumentadas. Na verdade, a crença geral (uma daquelas “lendas” que aparecem no mundo dos quadrinhos não se sabe de onde e persistem), é que Moore havia parado de desenhar o Fantasma por que havia morrido. Muita gente acreditou nisso durante anos, até descobrirem que ele ainda estava vivo, já na década de 60.
Ray Moore sumiu do mapa, contudo, e as pessoas – fãs, colegas de trabalho e editores – eram incapazes de explicar o motivo que o levou a se aposentar tão cedo dos quadrinhos, principalmente sendo bem sucedido. Uma das teorias levantadas é que ele havia perdido parte da capacidade de mover a musculatura por conta de um acidente sofrido em 1942. Outras histórias contavam que ele havia sucumbido ao alcoolismo. Verdade ou não, o que pouca gente sabe é que apesar de ter sido creditado até 1948 como desenhista, já em 1942 Ray Moore começou a ser gradativamente substituído por McCoy – então seu assistente.
McCoy não assinava as histórias – prática comum na época – mas consta que o que começou com algumas poucas sequências, logo se tornaram aventuras inteiras, até que, quando do momento final de seu afastamento definitivo, Moore fazia apenas algumas imagens esporadicamente.
Ray Moore faleceu em 13 de janeiro de 1984, no Missouri, vítima de um derrame cerebral. McCoy desenhou até 1961, ano de sua morte e Sy Barry, após uma curta passagem de Bill Lignante pelo título, passou a desenhar o Espírito que Anda a partir de 1962. Por onde Ray Moore andou e o que fez durante os quarenta anos que ficou fora da mídia permanece um mistério.
Escrito por Alexandre Callari.











Eu gosto muito do Espirito-Que-Anda também acho ele um personagem espetacular e que está no esquecimento das editoras, uma pena.
Já o Moore ai deve ter encontrado uma gatinha para se enroscar e esqueceu do mundo, como um certo editor de um site que eu conheço.