:: Melhores HQs da década por Daniel Lopes
Por Doctor Doctor Em 28 de dezembro de 2010 21 Comentários

Não só o ano está acabando como também a década. Então, aproveitando este momento o SOC! em parceria com o Pipoca e Nanquim apresenta ao longo desta última semana da década 5 listas com as melhores HQs destes 10 anos publicadas aqui no Brasil na opinião de Doctor Doctor, Shazam! e Alexandre Callari, redatores do SOC! e de Daniel Lopes e Bruno Zago, apresentadores do Pipoca e Nanquim.

O critério básico para esta seleção é que, obviamente, a HQ tenha sido lançada no Brasil entre 2001 e 2010. Não entraram nesta lista relançamentos de outras décadas como PreacherWatchmenCavaleiro das Trevas e outros.

Vale lembrar também que nenhum dos autores do SOC! ou apresentadores do Pipoca leram tudo o que saiu nesta década, de modo que nas respectivas listas aparecerão somente histórias lidas.

Dito isso, confira abaixo a lista de Daniel Lopes do Pipoca e Nanquim.

Grandes Astros Superman – Sem dúvida essa é uma das melhores  HQs do Superman, aqui o roteirista Grant Morrison ao lado do artista Frank Quitely, resgatam o Superman da Era de Prata, nos contando uma história repleta de homenagens ao elementos que fazem parte da mitologia deste super-herói, sem terem que se preocupar com a cronologia oficial do herói, por isso você poderá rele – lá sempre que nunca irá perder o brilho, pois assim são os clássicos. Essa história é para o Superman o que Cavaleiro das Trevas é para o Batman. (Panini, 2007-08).

Planetary – Warren Ellis e John Cassaday mostraram ao mundo o começo das aventuras dos Arqueólogos do Impossível ainda em 1999, mas a série passou por alguns percalços e só foi concluída depois de 27 edições em 2009.  Ellis criou esse grupo que tinha como função principal descobrir a história secreta do Século 20, no decorrer das aventuras há centenas de referencias culturais, que em mãos menos geniais (só Alan Moore conseguiu feito parecido ao de Ellis, com a fantástica Liga Extraordinária) poderiam soar como homenagens pedantes, mas em Planetary elas são sabiamente usadas e fazem parte de uma história complexa, envolvente e sensacional. (Pandora Books, 2003; Devir, 2005 e 2006; Pixel Media, 2007-08).

100 Balas –  A série policial que a partir de 1999 revolucionou um dos selos mais revolucionários dos quadrinhos, o Vertigo, que vinha publicando somente obras com teor fantástico, não pode ser esquecida jamais, Brian Azzarello teceu uma trama intrincada, repleta de ação, suspense e reviravoltas, mas que não teria metade de seu impacto se não contasse com arte sensacional de Eduardo Risso. A série com 100 números não possui nenhum momento ruim, as expectativas quanto à história só cresce número a número, os elementos da trama são liberados ao leitor dosadamente e o que parecia uma trama simples, porém instigante, em seu começo, acaba se tornando uma conspiração gigantesca, sem nunca apelar ao óbvio. (Opera Graphica, 2001-06; Pixel Media, 2007-08; Panini, 2010).

Persépolis (2004) – Essa obra-prima fundamental da literatura mundial é um petardo, nos contando suas experiências pessoais no litigioso Ira, Marjane Satrapi  traça um retrato contundente sobre costumes, política e religião daquela região nos últimos trinta anos e faz isso de forma intima e singular, consegue através de um traçado estilizado e simplório nos chocar, emocionar e compreender melhor aquele país. Não por menos essa HQ ultrapassou fronteiras e colecionou elogios no mundo todo e já é considerada um dos melhores livros escritos nos últimos anos. É imperdível. (Cia. das Letras, 2007).

Liga Extraordinária – Alan Moore enquanto escrever quadrinhos irá aparecer nas listas dos melhores, pois ele simplesmente vem criando desde os anos 80 obras fundamentais nesse maravilhoso mundo. Nessa última década ele criou duas obras que merecem destaques, pois são geniais, A Liga Extraordinária e Promethea, depois de muito pensar qual entraria para o ranking, só não optei pela segunda pois foi pouco publicada aqui no Brasil. Em 14 edições da Liga Extraordinária, Moore ao lado do desenhista Kevin O’Neill transformam personagens clássicos da literatura em heróis que lutam para preservar a magnificência do Império Britânico durante a Era Vitoriana. É um caldeirão de referencia absolutamente genial. (Devir, 2003-04 e 2010; Pandora Books, 2001 e 2003; Panini, 2010).

Jimmy Corrigan - O menino mais esperto do mundo – Chris Ware é o artista que mais vem ousando nos quadrinhos, ele consegue através de sua arte e diagramação romper alguns limites dessa mídia e faz isso magistralmente, não é a toa que ele já faturou cinco estatuetas do Eisner nos últimos dez anos. Jimmy Corrigan como o próprio autor descreveu, é uma obra difícil e impenetrável, que precisa ser lida com cuidado, atenção e se possível várias vezes para melhor compreensão, ela trata de temas não muito convencionais nos comics, como isolamento social, tristeza e distancia paterna, Jimmy não é nem de longe o menino mais esperto do mundo, na verdade ele tem meia-idade, sem perspectivas, graça ou grandes feitos, mas que nas mãos de Ware se transforma em uma grande história. (Cia. das Letras, 2009).

Sábado dos Meus Amores – Esse é a HQ mais brasileira de todos os tempos, em seis histórias sobre cotidianos diversos, Marcello Quintanilha retrata com maestria algumas facetas do povo brasileiro com uma arte sensacional, o álbum todo é de um esmero sem igual, tudo nessa coletânea de contos é preciso, vigoroso e original. Os personagens apresentados parecem ganhar vida, possuem características físicas e psicológicas detalhadas, uma verdadeira representação da diversidade do povo brasileiro. É o álbum mais poético da década! (Conrad, 2009).

MSP 50 – O maior projeto dos quadrinhos nacionais foi capitaneado pelo editor Sidney Gusman, 50 grandes artistas brasileiros tiveram a oportunidade inédita de escrever histórias com os personagens criados por Mauricio de Souza da maneira que bem entendessem, isso resultou em uma das melhores HQs da década (o segundo volume, MSP + 50 é tão espetacular quanto), aqui não há nenhuma história fraca, somente boas ou excelentes, algo dificilmente encontrado em coletâneas, é uma belíssima homenagem ao maior nome dos quadrinhos nacionais e como todos os fãs de quadrinhos em nosso país invariavelmente já leram a Turma da Mônica, esse é um item que remete a nostalgia, emociona e apresenta autores fabulosos de nosso mercado. Um marco! (Panini, 2009).

Bórgia – a reunião de dois dos maiores nomes dos quadrinhos mundiais não poderia resultar em algo menos que sensacional, Alejandro Jodorowsky e Milo Manara nos contam a história da família Bórgia, que fora uma das mais poderosas no século XV, alguns dos Bórgias se embrenharam nas operações do Vaticano e lutaram inescrupulosamente pelo poder e chegaram a dominar Roma por um período. Essa obra prima traz duras criticas ao cristianismo e consegue sintetizar com maestria a Renascença, aqui há uma mistura explosiva de profano com sagrado, corrupção e generosidade, política, luxúria, traições, poder, elegância, luxo e morte, ingredientes que nas mãos dos dois mestres resultou em uma das melhores HQs de todos os tempos. (Conrad, 2005, 2006 e 2010).

Y – O Último Homem – Essa criação  do ótimo roterista Brian K. Vaughn ao lado da desenhista Pia Guerra é uma daquelas séries extremamente empolgantes, que é impossível não ficar instigado pelo próximo número, as 60 edições da série são devoráveis, o roteiro é fantástico e inovador e arte sempre excelente. A saga de Yorick Brown, o último homem da terra é frenética e repleta de grande momentos, ele se mete em absolutamente todo tipo de intrigas e perigos, nos mostrando que um mundo só com mulheres não seria exatamente o tipo de sonho que todo homem tem. (Panini, 2010).

Escrito por Daniel Lopes, apresentador do Pipoca e Nanquim.

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21 comentários até agora.

  1. Augusto disse:

    Ótima lista! Concordo inteiramente.

  2. Lander disse:

    nem sabia que a liga extraordinária era desta década, pra mim tinha sido publicada em 99, por ai. rs

    e 100 balas eu tinha um amigo que era fanático, mas quando eu comentei com ele o final bunda de lost e o quanto me decepcionou, ele falou “deve ter sido a mesma sensação que senti lendo o final de 100 balas, o cara cagou a história inteira em 2 edições”

    confesso que depois disso eu me desanimei de ler.

  3. Daniel Lopes disse:

    Valeu Augusto!

    Lander, Liga Extraord. foi sim iniciada no final dos anos 90, mas toda a segunda fase e o início da terceira foi publicada na déc. 00. acho que nao tem problema né? rs

    O final de 100 balas tinha que acontecer, assim como Lost, pois senao ia comecar a encher o saco e a história corria o risco de ir pro brejo, nao concordo que os finais dessas duas obras cagaram tudo nao…uma hora tinha que chegar…mas que o desfecho (q nunca iremos mencionar aqui para nao prejudicar a leitura por outros) poderia ter sido um tanto mais vigoroso mesmo.

    abrass!

  4. Doctor Doctor disse:

    Lander, assim como você também acho que 100 Balas é superestimada!

  5. Lander disse:

    Po Daniel, tem problema não a liga, falei mais no sentido de curiosidade, pra mim era bem mais antigo, me surpreendi em saber que era de 2000 e pouco.

    quanto ao final de lost, eu não gostei não por que “tinha que chegar no final uma hora”, mas por que tudo que havia sido mostrado antes foi esquecido.

    tipo, a fumaça preta fazia um barulho mecânico nas primeiras temporadas. Ben não controlava o monstro, mas o soltava e prendia quando queria. de repente, tudo isso é ignorado e o monstro é uma entidade maligna que sabe deus por que obedecia o ben, e depois voltava pra prisão até que ben precisasse dele novamente.

    podia citar mais um milhão de coisas que eram tratadas de um jeito e depois mudaram, mas creio que não tem necessidade (mas se quiser conversar e discutir sobre isso estamos ai),, mas já deu pra entender a idéia.

    e pelo que meu amigo fanático em 100 balas falou, lá acontece mais ou menos isso. as coisas eram mostradas de um jeito e nas ultimas edições meio que foi ignorado tudo que foi mostrado e o final ficou sem pé nem cabeça com o resto da história.

  6. Daniel Lopes disse:

    Podscra Lander, Lost ficou com milhares de pontas soltas, dá até impressao que um dia eles vao fazer Lost 2 rs.

    100 balas tbm ficou com algumas pontas soltas, alguns personagens importantes no comeco foram margnalizados e até esquecidos, mas a trama básica foi muito bem amarrada, mas como disse o final poderia ser melhor mesmo.

    e Doctor Doctor, 100 Balas nao é superestimada coisissima nenhuma! é uma série original, muito bem executada e que mostrou ao mainstream um dos melhores desenhistas que os quadrinhos já viram, Eduardo Risso.

    Superstimado é Os Supremos!!!

  7. Doctor Doctor disse:

    Em uma coisa não posso discordar do Daniel: Eduardo Risso é foda! O cara é muito bom! Aliás, a única coisa que me atraiu a ler os primeiros números de 100 Balas, mas mesmo sua arte não conseguiu me segurar nesta série.
    E, cara, por que vc acha que Os Supremos são superestimados?

  8. Lander disse:

    quanto a planetary eu não achei tudo isso. mas também não acabei de ler, li pouca coisa (tipo umas 15 edições). e achei até bem fraca a descoberta de quem era o 4º homem, achei que seria algo mais bombástico.

    100 balas eu só li a primeira edição e ela não me prendeu, mas sei que com uma edição não dá pra avaliar nada.

    e supremos eu achei muito boa. não acho superestimada por que realmente foi uma divisão de águas nos universos de heróis e os filmes marvel estão sendo todos inspirados no universo ultimate.

  9. Daniel Lopes disse:

    Planetary deve ser lido em edicoes corridas, em muita demora de um número para o outro, pois tem muito detalhes e referencia, que acabam se perdendo lendo uma por mês.

    Leia mais 100 Balas Lander, tenho certeza que irá gostar.

    Supremos é uma obra maravilhosa sim! eu a adoro, mas os conceitos básicos sao os mesmo dos supergrupo Authority, no qual o Warren Ellis já “trouxe” para o mundo real os super-heróis. Só que todo mundo acha que Ellis foi totalmente inventivo e rompedor de barreiras com Supremos.
    Supremos só chocou mais pois ele trabalhou com heróis da MArvel. Falo que é superstimada por causa disso, pessoal que fala uma revolucao no mundo dos heróis e tal, sendo que essa revolucao se fez bem antes.

  10. Alex de Souza disse:

    ‘Obra-prima fundamental da literatura mundial’? Pensei que tavam falando do Dostoiévsky. O álbum da Sartrapi é muito bom, mas vamos ter um mínimo de critério na hora de elogiar, né?

  11. Andre Pires disse:

    Pena que 2010 já faz parte de uma nova década, que terminará em 2019.

  12. Doctor Doctor disse:

    Bem, na minha opinião uma boa literatura é aquela que é acessível a todos, tanto no que tange a sua comercialização quanto a seu conteúdo. Tenho certeza que muita gente conheceu os conflitos iranianos quanto aqueles que conheceram um pouco mais sobre a essência humana em Crime e Castigo do Dosto.
    Quadrinho é literatura. Não vejo porque não incluir alguma obra como “literatura mundial”. E como toda obra de literatura pode sim ter peças compreendidas como “obra-prima”.
    A não ser, é claro, que ainda continuemos acreditando que quadrinhos são coisas pra crianças, né? :P

    • Alex de Souza disse:

      Desculpa vir aqui só pra discordar de novo. Quadrinho é quadrinho, tem toda uma linguagem que o difere bastante de literatura. Nem por isso, um é maior ou melhor que o outro. São meios artísticos diferentes e que vez ou outra travam diálogos interessantes.

      A cisma com o trecho da resenha é em relação ao critério, algo que tem faltado na hora de se falar sobre arte em geral. Parece que a cada semana vemos nascer uma obra-prima. Acho que deveria haver mais parcimônia na utilização do termo.

      A propósito, a lista de melhores da década é muito boa.

      • Alex.. disse:

        Concordo com o xará “Alex de Souza” se coloca pompa demais em algumas porcarias (que talvez não seja este caso, estou sendo genérico no comentário) e pouco valor se dá a coisas mais consistentes… enfim… mundo novo, valores distorcidos. .. .. ..

      • André Chapetta disse:

        Alex, concordo contigo que existe uma certa banalização do senso estético coletivo. Mas não é o caso da opinião do Daniel. Persépolis é espetacular, um clássico. Acho que o seu conceito de literatura é que está bastante limitado. Quadrinhos é literatura sim, meu amigo. Literatura é toda forma textual de cunho cultural literária ficcional.

  13. Daniel Lopes disse:

    Alex, eu concordo que tem muita gente falando que algumas coisas por ai sao obras primas, existe hoje uma banalizacao dos termos “genio” e “obra-prima”, mas acontece que realmente acho Persepolis uma OBRA-PRIMA, isso no meu critério, claro!

    abrass!

  14. snikt!!! disse:

    Grandes Astros e Liga Extraordinaria, mais duas séries para minha lista dos melhores.
    Planetary é sem duvida a melhor de todos ao lado da série do Conando Busiek.

  15. Jacques disse:

    Ainda não li Planetary e Grandes Astros Superman, mas todo mundo fala bem deles.
    Acho que faltaram Os Supremos Volume 1 na lista de vocês, com certeza uma das melhores histórias dos Vingadores.
    Y teve um início e meio muito bons, mas o final no estilo “viagem de Grant Morrison” estragou a hq.
    Valeu.

  16. ARQUEIRO VESGO disse:

    Senti a falta de “ALIaS” de Brian Michael Bendis, nesta lista.


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